Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Desilusão do Homem-Novo com o Estranho Caso de Benjamim Button

 De princípio, e em geral, o filme O Estranho Caso de Benjamim Button foi tal, que o meu voto para Melhor Filme, para ganhar o Óscar, iria para o mesmo.

 

Bem analisado, e em última instância, remete para a senda do conhecimento do ser humano, a saber a questão dos buracos negros e o facto do Universo parecer-nos na sua maior parte preto, e a descoberta do mesmo. Mais superficialmente, remete-nos para os encontros e desencontros de uma história de amor.

Aquela questão do Universo e da senda do conhecimento parecerá muito rebuscado para alguns. Mas atentem na relação entre o tempo meteorológico, através do furacão, que está presente no filme, e o tempo cronológico, factor que atravessa todo o filme. Isto só fará sentido para quem tiver noções da língua portuguesa ou (?) espanhola, já que os dois tipos de tempo designam-se, nessas línguas, da mesma forma, por tempo. Ora, em inglês, há o weather e há o time... ora atente-se que o pai adoptivo de Benjamim Button chamava-se Mr. Weathers e era negro.

Nas interrelações do filme, é como que o Pai Tempo, representado biunivocamente pelo Mr. Weathers, representasse a investigação do ser humano do Universo.

Ora, no filme, a água advinda do furacão, que representa a água da excitação sexual feminina, neste caso do Capitalismo, pára, ou vai parar o relógio ( o filme pára antes que o relógio par - não se sabe se parará ), que anda ao contrário,  e que está , por sua vez, associado às características de envelhecimento e de rejuvenescimento de Benjamim Button. Atente-se que este acaba por morrer.

O que isso transmite, politicamente, é o Capitalismo parar, ou acabar com, o Homem-Novo.

 

É nesse sentido, que o Homem-Novo, ou o homem progressista, ficará desiludido com este filme.

E eu fiquei.

Apesar de ter os aspectos positivos de  que, para continuarmos a senda do conhecimento pelo Universo, deveremos ter mentalidade anti-racista, contra qualquer descriminação, mas particularmente, contra a descriminação em relação aos negros. Isto no sentido de libertarmo-nos psiquicamente, catarticamente, em termos de mentalidade, para melhor investigarmos os buracos negros e o Universo, na sua escuridão.

 

Em resumo, fiquei desiludido, e nesse sentido não ganha o meu voto para Melhor Filme.

 

Esse voto vai para Slumdog Millionaire, ou Quem Quer Ser Bilionário?, que é, isso sim, um filme anti-imperialista, anti-colonialista.

 

Num aparte, e em relação ao filme Milk, devo dizer que é um bom filme, que por comparação com  o Quem Quer Ser Bilionário? não merece ser considerado o melhor filme, mas... merece com  que Sean Penn, protagonista de Milk, ganhe o Óscar de Melhor Actor.

 

E tenho dito! 

publicado por sergioresende às 11:48
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